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Análise do capítulo A Jornada de um Serendipitoso do livro Fama e Anonimato de Gay Talese

Este trabalho busca analisar o capítulo A Jornada de um Serendipitoso do livro Fama e Anonimato (escrito no início dos anos 60 e lançado no Brasil em 1973) do jornalista norte-americano Gay Talese. Esta breve analise será composta a partir das observações da possível ocorrência de marcas de subjetividade do autor, contidas no texto. Também serão elucidadas as marcas de temporalidade dos relatos demonstradas por Talese, além de tomar como foco principal as características da literaturidade que o texto apresenta.

O livro Fama e Anonimato faz parte de uma nova faze do jornalismo mundial, denominada de “new jornalism”. Por meio desta nova concepção de jornalismo, Gay Talese consegue despertar interesse e conseguir capturar a atenção dos leitores logo nas primeiras linhas do texto. Trata-se de uma reportagem aludida pela literatura, no qual são retratadas características da literatura sobre fatos reais, de forma precisa, sem deixar o fato e a informação jornalística de lado. Como resultado temos a descrição e o foco em terceira pessoa, de modo a proporcionar uma leitura que desperta a atenção e que possuí a qualidade de prender o leitor, não só pelos dados curiosos, mas por todo contexto que apresenta. Conceitua-se que:

“os limites que separam o jornalismo da literatura estão sendo transpostos em busca de uma narrativa esteticamente mais competente. Essa transposição surge do fato de alguns jornalistas ao não se contentarem em seguir os esquematismos de fórmulas rígidas de construção de narrativa jornalística, procurarem lançar um olhar inquieto às determinações de regras fechadas e buscarem enunciações atrativas com competência técnico-artística.” (VICCHIATTI, 2005, p. 83)

Chamamos aqui de “literárias” estas enunciações atrativas com competência técnico-artística citadas por Vicchiatti. Este new jornalismo em questão modificou a linguagem jornalística, fazendo com que ela, de maneira excepcional se assemelhe a  literatura ficcional. Por conseguinte, Talese faz com que suas reportagens sejam lidas de modo semelhante a um conto, onde o leitor se sente inserido na história. Nesta nova linguagem new jornalística, autor passa então a “descrever a realidade tão detalhada e fielmente quanto possível, conferindo a tal descrição um tratamento até então destinado ao romance ou ao conto.” (VICCHIATTI, 2005, p. 86). Nas palavras do próprio autor:

“Tento absorver todo o cenário, o diálogo, a atmosfera, a tensão, o drama, o conflito e então escrevo tudo do ponto de vista de quem estou focalizando, revelando inclusive, sempre que possível, o que os indivíduos pensam no momento que descrevo”. (Talese em Novo Jornalismo, 2000) apud (ABREU, Allan. New Journalism: A Experiência literária no jornalismo. Disponível em: <http://criticaecompanhia.com/allan.htm> Acesso em: 01/06/2011)

Noblat no livro A arte de fazer um jornal diário dá um conselho ao leitor jornalista: “Escrevam uma notícia ou uma reportagem como se contassem uma história a um amigo.” (NOBLAT, 2008, p. 82). Talese como ótimo observador e ouvinte por excelência seguiu a risca este principio de forma a caracterizar com precisão como é efetuada a presença da participação ativa do narrador. Nas palavras de Talese percebe-se que o uso do ponto de vista, no qual se descreve a cena através de um determinado ângulo, é um dos principais fatores da modalidade do new jornalism utilizada por ele.

A Jornada de um Serendipitoso, como produto de jornalismo, caracteriza a matéria fria e não factual. Nela existe a “costura” do texto, cena a cena, no qual um assunto puxa o outro. Trata-se de uma obra que não se acaba após uma leitura de cada relato ou noticia, pode-se lê-la em qualquer momento, é atemporal. Escrita no inicio dos anos 60 permanece válida aos dias de hoje. No capítulo, há um trecho interessante, em que se refere a uma determinada noticia (que não vem ao caso especifica-la) relatada:

“Os jornais que noticiaram o sensacional caso tinham servido para embrulhar lixo fazia tempo, e estavam todos sepultados num aterro sanitário” (TALESE, 2004, p. 56) dessa maneira, Talese nos mostra como o jornalismo diário e factual é efêmero e tem validade. No caso de Talese, o novo jornalismo que ele prega é eterno, ele vira livro, obtém reconhecimento e é duradouro. Sobretudo, não embrulha o lixo no aterro sanitário, mas aquele que efervesce nas mentes de milhares de pessoas, todos os dias pelo mundo.

Talese é um profissional capaz de uma comunicação excessivamente competente. Ele emprega uma articulação narrativa complexa, utilizando de historias de vida, são os casos, que caracterizam as personagens que sofrem a ação da noticia. No capítulo, nota-se que um dos objetivos do autor foi o de retratar a vida subjetiva das personagens. Em relação a isso, Noblat também comparece com outro conselho: “Tudo que puder ser humanizado deverá sê-lo. Não esqueçam que a noticia é uma historia. E que agente gosta de ler histórias sobre gente.” (NOBLAT, 2008, p. 75) ele ainda complementa – “Ponham gente em suas matérias, Gente gosta de ler história de gente. Ponham odores, descrevam ambientes, apeguem-se a detalhes” (NOBLAT, 2008, p. 108). Talese, em concordância com Noblat, expõem, descreve e retrata no livro as observações minuciosas das situações vividas pelos diversos personagens abordados. “Em Nova Yorkvocê encontra todo tipo de gente.” (TALESE, 2004, p. 58) principalmente pessoas com hábitos diferentes.

Em complementação as histórias de vida das pessoas, Talese utiliza em demasia, a própria visão e ponto de vista e avaliação, adjetivos e descrição da personagem por meio de subjetividade. Observe nos trechos abaixo:

“O homem mais alto de Nova York, Edward Carmel, mede dois metros e meio, pesa 215 quilos, come feito um cavalo e mora no Bronx.” (TALESE, 2004, p. 74). Edward Carmel foi avaliado por Talese como o homem mais alto do mundo, em quesitos de avaliação subjetiva, não foi citado nenhuma espécie de feito comprobatório em relação à altura do homem, como exemplo “segundo o Guiness Book”. A altura e o peso retratam padrões de cunho estatístico e descritivo, no caso, peso e altura, não utilizados costumeiramente pelo jornalismo factual tradicional. Comer feito um cavalo transparece a visão individual do autor, alem de uma comparação, trata-se de um adjetivo, disfarçado de pseudo eufemismo, no caso para não chamá-lo de faminto, esfomeado ou então esganado, pois se sabe que “Um cavalo de 545 quilos come num só dia 6,8 quilos de feno e 4,1 quilos de grãos.” (Costumes e mitos. Disponível em: http://www.felipex.com.br/costumes_mitos06.htm> Acesso em: 01/06/2011)

Compreende-se que fica caracterizada a descrição subjetiva e a imensa quantidade de adjetivos do personagem por parte do autor. Alem de abordar o ser humano em diversos contextos, ele utiliza a descrição e o foco em terceira pessoa, para descrever os dados curiosos das personagens que sofrem a ação da noticia:

“Sr. Kyle (…) Ele é um homem baixo e troncudo que anda com os ombros inclinados para trás, tem o queixo protuberante e o rosto quase sempre franzido.” – “Seu estilo é direto; suas palavras, breves e objetivas.” (TALESE, 2004, p. 88)

“Nova York é uma cidade para excêntricos e uma central de pequenas curiosidades.” (TALESE, 2004, p.19)

“John Muhlhan cheira feno e cobra por hora de trabalho; ele é considerado um dos maiores conhecedores de feno para cavalos do país.” (TALESE, 2004, p. 97)

Entende-se que “noticia é todo fato relevante que desperte interesse público.” (NOBLAT, 2008, p. 31). Para Talese esse interesse publico vai muito além dos ideais factuais do dia a dia. Para ele há a intensa valorização da importância das histórias bizarras; por meio delas há o despertar da atenção em relação a leitura. Alem de apresentar marcas do autor, essas histórias prendem o leitor com informações e dados curiosos, algumas vezes trágicos também. “Raphael Torres, furioso porque um ônibus não parou para ele, entrou num Taxi, conseguiu alcançar o motorista do ônibus – e o esfaqueou.” (TALESE, 2004, p. 114). Para Noblat “a noticia esta no curioso, não no comum (…) no drama e na tragédia e não na comédia ou no divertimento.” (NOBLAT, 2008, p. 31). Talese aborda a tragédia e curioso de maneira excelente, de forma fora do comum.

As estatísticas são resultantes de investigações precisas e árduas buscas de dados, pois “Sem investigação não se faz jornalismo de qualidade.” (NOBLAT, 2008, p. 45. Talese investigador de carteirinha, utiliza das estatísticas como um dos principais chamarizes do curioso em seu texto. Basicamente em quase todas as historias elas estão presentes. As estatísticas fazem parte do perfil positivista que compõem um dos viés que proporcionam qualidade a narrativa ou reportagem; além de pressupor credibilidade jornalística. No new jornalism de Talese há o exagero detalhado de informações estatísticas, exemplo:

“Todo dia os nova-iorquinos enxugam 1,74 milhão de litros de cerveja, devoram 1,5 mil toneladas de carne e passam 34 quilômetros de fio dental entre os dentes. Todo dia morrem cerca de 250 pessoas em Nova York, nascem 460, e 150 mil andam pela cidade com olhos de vidro.” (TALESE, 2004, p. 20)

Além de contar histórias e descrever pessoas, a  presença de figuras de linguagem no capítulo analisado, é um dos componentes do new jornalism provindos da literatura. Temos a comparação dentre as mais usadas por Talese. A comparação acontece quando entre dois termos, existe a presença do conectivo como, observe:

“quando chove os edifícios da cidade de certa forma parecem mais limpos – banhados num tom opalino, como uma pintura de Monet.” (TALESE, 2004, p. 29)

“Vê passageiros de pé, pendurados nas alças como quartos de boi no açougue” (TALESE, 2004, p. 43)

Além das figuras de linguagem, o autor também utilizou das funções de linguagem, como por exemplo a função fática ou de contato. Talese retratou bem a utilização da função fática no dia a dia das personagens, e que por conseguinte, também se aplica ao cotidiano das pessoas existentes fora do livro. A função fática da linguagem é aquela em que a personagem emite/diz algo com o intuito de produzir um canal de conversa em prol da certificação do contato estabelecido, na qual possa ser prolongado posteriormente com outro assunto. Os vícios e manias mais comuns da população de função fática são em relação ao tempo. Talese já diz “grande cidade da Conversa Sobre o Clima.” (TALESE, 2004, p.53). O autor, ciente do fato, não perde tempo em fazer transparecer um ar demasiadamente cômico em relação ao tempo e a função fática quando afirma que:

“Aconteceu uma coisa inesperada às 14h49 do dia 12 de maio, uma quarta-feira, numa grande área de Manhattan: faltou luz e, em muitos bairros, a escuridão cobriu tudo, os religiosos pararam, a cerveja esquentou, a manteiga amoleceu e as pessoas ficaram conversando agradavelmente à luz de velas em salas sem televisão. Foi uma beleza. As pessoas tinham uma coisa diferente para comentar (…) Só os cegos continuaram sua rotina normalmente.” (TALESE, 2004, p. 53)

Talese alem de zombar comicamente da função fática, enfatiza como será divertido haver um canal e ponte de comunicação diferentes após o ocorrido. Desta vez (menos para os cegos) não será o tempo o canal, mas sim a falta de luz que amoleceu a manteiga e esquentou a cerveja da população.

Independente do estilo de jornalismo a ser seguido, a formação do jornalista é projetada a partir da percepção do papel singular de produtor de conhecimento e de cultura que ele representa. Pois o jornalista nasceu “Para informar as pessoas. Também para instuí-las e diverti-las.” (NOBLAT, 2008, p. 12). Nesse sentido, Talese também utiliza o new jornalism com o intuito da informação e instrução, por exemplo, quando cita o papel histórico formado pela ponte George Washington:

 “Pouca gente sabe que a ponte foi construída numa área onde os índios costumavam passar, onde se travavam batalhas e onde, durante os primeiros tempos da colônia, piratas foram enforcados às margens do rio, para servir de advertência a outros marujos imprudentes.” (TALESE, 2004, p. 33)

O bom jornalista “Ao contrario daqueles macaquinhos chineses, eles têm de ver, ouvir e contar – de preferência contar bem, em texto de qualidade.” (DANTAS, 2004, p. 10). É o que faz direitinho Talese, observador por excelência, faria milhares de porteiros nova yorkinos morrerem de inveja dos seus textos de qualidade provindos de observações minuciosas e precisas, e o melhor, mega profissionais. Talese afirma que “Em geral os porteiros […] constituem um grupo de obsequiosos e articulados diplomatas de calçada” (TALESE, 2004, p.27). E complementa:

O porteiro do Sardi’s ouve os comentários dos espectadores das estréias, que passam pelo bar depois do ultimo ato. Ele ouve de perto. Atentamente. Dez minutos depois de cair o pano, ele é capaz de dizer quais espetáculos serão um fracasso e quais serão um sucesso.” (TALESE, 2004, p. 20)

 

O jornalista, ciente do real papel singular de produtor de conhecimento que representa, tem a obrigação de divulgar a informação preciosa, aquela que o leitor não sabia ou não parou pra ver, além de fazê-lo pensar em coisas que não tinha pensado (ou não tinha pensado naqueles termos). Isto é jornalismo. E isto também é new jornalism. Para tal façanha, o new jornalism necessita de grande parcela de imaginação por parte do jornalista, pois “Imaginação é a palavra-chave. Sem ela, o jornalismo não enxerga além do fato.” (NOBLAT, 2008, p.78). É importante obter alta qualidade da “visão jornalistica”, aquela dotada de um olhar que foge aos lugares-comuns. Em suma “Tudo deve ser observado. E o relevante, publicado.” (NOBLAT, 2008, p. 70).

“Bem – aventurados serão aqueles que repensarem seu conteúdo para acompanhar as transformações do mundo onde operam a capturar novos leitores.” (NOBLAT, 2008, p. 26). Talese pode ser caracterizado como um bem aventurado neste sentido, pois é um dos pioneiros neste ramo de jornalismo literário. Além de capturar novos leitores para a modalidade jornalística diariamente, Talese utiliza de arte manhas literárias para uma construção da nova narrativa do jornalismo, podemos citar o fato de contar histórias, descrever pessoas, a atemporalidade, as figuras e funções da linguagem, a subjetividade, a adjetivação e o detalhamento da ambientação e de perspectiva (próximo ao conto) etc. Observa-se que o importante é sempre dar “ênfase na batalha por um jornalismo (…) mais preocupado em provocar perspectivas no leitor.” (PIZA, 2009, p. 09).

Sem sombra de dúvidas, o livro fama e anonimato “É literatura da melhor e reportagem da melhor.” (DANTAS, 2004, p. 13)

 

Referências bibliográficas:

DANTAS, Audálio. Repórteres. São Paulo. Senac. 2004.

NOBLAT, Ricardo. A arte de fazer um jornal diário. São Paulo. Editora Contexto. 2008.

PIZA, Daniel. Jornalismo cultural. São Paulo. 2009.

TALESE, Gay. Fama e anonimato. São Paulo. Cia das letras. 2004.

VICCHIATTI, Carlos Alberto. Jornalismo: comunicação, literatura e compromisso social. São Paulo. Paulus. 2005.

Documentos eletrônicos:

ABREU, Allan. New Journalism: A Experiência literária no jornalismo. Disponível em: <http://criticaecompanhia.com/allan.htm> Acesso em: 01/06/2011

Costumes e mitos. Disponível em: http://www.felipex.com.br/costumes_mitos06.htm> Acesso em: 01/06/2011


Olhai os lírios do campo

Atualmente o processo de globalização está trazendo profundas transformações para as sociedades contemporâneas. O acelerado desenvolvimento tecnológico e cultural, principalmente na área da comunicação, caracteriza então, uma nova etapa do capitalismo, contraditória por excelência, que coloca novos desafios para o homem neste final de século. Cultura, Estado, mundo do trabalho, educação, etc. sofrem as influências de um novo paradigma, devendo-se adequarem ao mesmo. Neste novo paradigma, a autonomia é privilegiada.

O que caracterizou o século XX foi uma profunda transformação no conceito de ideologia, ao contrario do que se diz, a queda do muro de Berlim não encerrou a questão ideológica. Pelo contrario suscitou uma discução vertical sobre a mesma.

A ideologia chegara ao século XX como uma ação discursiva, na tentativa de conciliar a consciência verdadeira com o discurso politicamente correto.

A partir do século XX, e não se pode negar à contribuição de Max weber, a ideologia como retórica perdeu lugar, sendo substituída pela aparição quantitativa da metodologia cientifica weberiana. Bem, mal, pior, melhor, conceitos ao sabor das conveniências discursivas, foram substituídos pelos índices de desenvolvimento humano. A partir desta mudança, a queda do muro de Berlin não mudou coisa alguma no cenário político das discuções de diferentes sistemas.

Infelizmente a partir do século XX, a mídia perde o seu propalado caráter do quarto poder. Ela passa a ser a voz do capital, dificultando ainda mais a discução do bem comum. Tão acintosa, tem sido o papel da mídia que ela perdeu prestigio a ponto de não servir como guia de orientação para os contingentes mais esclarecidos.

O desaparecimento do estado comunista hegemônico, a união soviética, parecia ter posto fim a chamada guerra fria, ou seja, a velha disputa entre o socialismo do estado e o capitalismo sempre disfarçado pelo apelido ilustre de economia liberal de mercado.

O desaparecimento do comunismo como força antagônica da chamada democracia liberal produziu sérios conflitos nas democracias liberais.

A indústria bélica perdeu o seu grande motor precursor, a guerra.

A tentativa desesperada de substituir o diabo comunista pelo terrorismo não deu os resultados que se anteviam. Os núcleos terroristas se transformaram numa série de Vietnãs, desde a Indochina, até o Iraque.

Os asiáticos ensinaram a todo mundo, a guerra de guerrilha, jamais prevista pela inteligência ocidental colonialista. Se não bastasse o malogro de se tentar o novo inimigo comum, o capitalismo passa a ser desafiado por uma produção em massa que derruba os preços do sagrado mercado, graças à mão de obra de um povo que produz muito e consome pouco: chineses, coreanos, filipinos, japoneses.

Contra o capitalismo também se levanta uma questão irrefutável – o meio ambiente – já não é mais possível produzir loucamente e consumir insanamente. É preciso preservar.

A produção desenfreada gerando concentração do capital é essencial para o processo de produção capitalista.

Deu no que deu. A atual crise econômica que o mundo atravessa era o sonho utópico de Marx. O dia em que todos produzissem conforme as suas possibilidades e gastassem somente seguindo as suas necessidades, desapareceria a propriedade privada.

O capitalismo pós-moderno fez o percurso marxista em ordem inversa. A crise imobiliária nos estados unidos decorre de um fator muito singelo. Todos têm casa e belas casas. O desaquecimento da construção civil, por falta de demanda, gerou um desemprego jamais visto.

Sem emprego os cidadãos não podem pagar as mensalidades de suas hipotecas. Não podem sequer pagar os tributos referentes à sua moradia e suas obrigações de cidadania.

Os bancos que financiaram os imóveis foram à falência. Jocosamente aqueles que combatiam um Estado, correm a casa paterna pedindo ajuda ao pai, avô antes considerado ultrapassado.

Estamos assistindo os últimos dispersores do capitalismo que agoniza numa unidade de tratamento intensivo, onde nenhum economista, ou sociólogo dispõe de uma terapia eficiente.

Como previra Marx o mundo teria que passar pelo capitalismo, para chegar ao socialismo. Retrocedemos aos primórdios do século XIX. Ou quem sabe aos fundamentos da civilização ocidental judaico crista – amai-vos uns aos outros. Que Marx reproduziu – trabalhador uniu-vos.

Afinal para que roupas luxuosas e casas maravilhosas? Vejam como são simples os vegetais, se adornam com as próprias roupas que a natureza lhe deu. Olha os lírios do campo.                

Jéssica Cegarra