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Insatisfação e felicidade

Realmente a insatisfação sempre esteve presente nas vidas humanas. Desde os primórdios as pessoas só pensam no que lhes é favorável, e a vida segue com a grama do vizinho aparentando ter um verde mais fashion que o seu [risos].

No caso das relações amorosas, nosso querido poeta modernista Carlos Drummond de Andrade, (marcado pela poesia social e irônica), retratou de modo ligeiramente cômico o fato, sem deixar de lado um coeficiente importante de solidão no poema A Quadrilha:

João amava Teresa que amava Raimundo

que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili

que não amava ninguém.

João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,

Raimundo morreu de desastre, Maria ficou pra tia,

Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes

que não tinha entrado na história.

Joaquim talvez tenha sido o menos favorecido da historia, pois, a longo prazo o amor o matou. De qualquer maneira todos os outros personagens seguiram suas vidas, sem o amor desejado e mesmo assim foram felizes de formas diferentes. Está ai o segredo. Bertrand Russel, chamado muitas vezes de profeta da vida racional, afirma que “Não possuir algumas das coisas que desejamos é parte indispensável da felicidade.”

Emmanuel Kant como o último grande filósofo dos princípios da era moderna, nos deixa claro que “A felicidade não é algo que pode ser adquirido depois de alcançar algo. A felicidade não é um ideal da razão, mas sim da imaginação.” Na estrada na vida, existem caminhos diferentes para o encontro com a felicidade. A rota perfeita nenhum GPS atual poderá nos mostrar…

Há aqueles que são felizes sem coisa alguma, enquanto outros muitos são infelizes possuindo tudo. Possuir tudo nunca foi sinônimo de felicidade para o Pequeno príncipe. Para ele não há nada no mundo melhor que contemplar a rosa que o cativou (sim, as outras rosas eram vazias e foi a ela quem ele regou e a abrigou com o para vento), valorizar os amigos, ver o por do sol, estes que são momentos felizes e efêmeros e, sobretudo ameaçados de próxima desaparição. “Só as crianças sabem o que procuram, disse o principezinho. Perdem tempo com uma boneca de pano, e a boneca se torna muito importante, e choram quando a gente a toma… – Elas são felizes” conta o principezinho.

O ensaísta romântico François Chateaubriand reforça esta idéia quando cita “A verdadeira felicidade custa pouco; sendo cara, é porque a sua qualidade não presta.” No caso das pessoas é muito importante lembrar que “a felicidade é um sentimento simples; você pode encontrá-la e deixá-la ir embora, por não perceber a sua simplicidade” afirma verdadeiramente Mário Quintana.

Jéssica Cegarra

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Autenticidade

Vamos pensar com nossos botões. Hoje em dia é preferível observar um vaso branco nu iluminado em uma sala do que assistir uma peça de teatro.

Um vaso branco iluminado numa sala é, e representa o signo da autenticidade no seu mais alto rigor. O vaso é ele mesmo, um ser autêntico e a iluminação é o meio necessário para que todos o possam ver como ele é. O vaso é o ser exposto.

O teatro de fantoches ainda tem algum mérito, pois, são seres inanimados movimentados por alguém que não se apresenta como tal. E, portanto, a situação é vivida como ficção e não como realidade. Quanto ao teatro clássico, seja na versão de monologo, ou tragédia e comédia, tem a pretensão de ser um fato real em um ambiente irreal e conduzido por pessoas que nada tem a ver com a essência dos protagonistas com o fato. A voz é impostada, o choro ou o riso são adredes (previamente) preparados e os gestos estereotipados sem nenhuma correspondência com as emoções vividas.

A maior parte dos freqüentadores do teatro, o fazem por imposição social, para exibir uma pretensa inclinação cultural não consistente. De tal forma o teatro é desacreditado e as pessoas não dão conta disso, e até quando alguma discussão é feita sobre assuntos não relevantes todos usam a expressão “vamos acabar com esse teatro”.