Arquivo do mês: janeiro 2014

Entrevista ‘CAD: grind´n´roll em turne Dragon´s Attack Over Brasil’

De passagem por São José do Rio Preto no mês de setembro, a banda da Eslováquia CAD (de grind´n´roll) alegrou os head bangers do interior de São Paulo com a tour “Dragon´s Attack Over Brasil”. A banda conta curiosidades e detalhes da carreira de forma bem humorada em entrevista exclusiva.
Entrevista feita por Jéssica Bárbara Cegarra

Fotos: Mateus Carvalho

Imagem

JANO VALÉR: Todas as canções são perfeitas … haha. Cada um de nós é diferente e, portanto, cada um tem sua canção preferida. As músicas mais lentas são minha preferência, porque o som é mais legível e poderoso. Por exemplo a música Pevnost ou Psia krv. Então, temos músicas que dependem mais do texto, como San Juan, Konflikty, Sklenenaveza. Essas músicas são as melhores para concertos onde as pessoas podem cantar tudo com a gente.

2. O que significa o nome da banda CAD?

JANO VALÉR: O nome é escrito de outra forma. É ČAD (Inglês: tchade, alemão: tschade). O nome da banda foi no início “Filhos de Chad”. Depois ficou apenas o Tschad. É simplesmente o país africano, que permanece sempre no último lugar de cada análise do mundo. Se sobre qualidade de vida ou economia. E tivemos a sensação semelhante sobre a nossa posição no cenário da música…

3. Qual era o propósito da banda, quando foi fundada? Quais foram as mais importantes influências musicais?

JANO VALÉR: A banda foi fundada em 1994, mas, naquela época eu era uma criança. Eu só ingressei em 2003. O objetivo era fazer apenas um monte de barulho e gritar muito. Os textos das canções eram agressivos, o som parecia sucata de veículos e o cantou era grito gutural. Nossas influências novamente são diferentes, mas podemos concordar com o IRON MAIDEN, SEPULTURA, SLAYER, RAMONES, MISFITS, ELVIS.

4. Vocês sempre foram em três? Esta é a formação original, foi a intenção de ser um trio?

JANO VALÉR: Sim, a banda sempre foi um trio. O núcleo do heavy metal é percussão, baixo, guitarra e canto. É o que somos não precisamos de mais. Nos realizamos assim, a combinação do som é muito “crua” qualquer coisa mais nos sobrecarregaria. E outra vantagem é que nós três cabemos em um carro pequeno com os instrumentos … haha Na formação original tinha o Stephan (guitarra, canto), Kosticka (bateria), Tichonov (baixo). Barbora só entrou em 1998 e eu em 2003.

5. Desde quando a banda existe? Vocês lançaram muitos álbuns? Todas as canções são protegidas por direitos autorais?

JANO VALÉR: Sim a banda existe desde 1994, como já disse. A discografia é bastante grande: 5 álbuns, 7 split EPs e um split LP. Nós somos uma banda DIY. Todos os álbuns deram muito trabalho. Está tudo aqui: http://bandzone.cz/cad?at=info

6. O que dizem as letras das canções? Qual mensagem vocês gostariam de passar? Vocês compõem juntos?

JANO VALÉR: Sim, compomos todas as músicas juntos. Agora estamos mais velhos e todos têm mais expectativas sobre nossa música. Por isso, o processo para compor é um pouco difícil e não colocamos toda música no álbum. A canção começa com um Riff, o som do tambor enche a sala inteira para a música ser desenvolvida. O texto é sempre uma surpresa. Embora façamos muitas demonstrações de texto são aprovados de acordo com o STEPHAN (vocalista) e obtemos o resultado final apenas alguns dias antes da gravação. Os textos são em sua maior parte sobre as coisas da vida, que nós vivenciamos todos os dias, experiências, doenças e futilidade da sociedade. Então inspiramos muitas de nossas canções em lendas eslovacas, lutas, ladrões e guerras. O que parece insano e um pouco engraçado, mas com muita agressividade.

7. De toda a história da banda, qual é o período do qual vocês mais se orgulham?

JANO VALÉR: Esta pergunta cada um pode responder de forma diferente, mas para mim o melhor é sempre o último álbum. Acredito que a gente pode se dedicar mais e tornar as músicas mais detalhadas. Espero que nossas canções fiquem mais que meio ano nas cabeças. E talvez esperem algo melhor de nós. Se não, alguma coisa já aconteceu durante o tempo …

8. Você vem da Eslováquia. Isto torna as coisas mais fáceis ou mais difíceis para a banda?

JANO VALÉR: A Eslováquia é um país pequeno, um quarto de São Paulo, cerca de 5,5 mil habitantes. A coisa é um pouco complicada para bandas de metal, porque a cena underground é muito pequena, e depois de alguns anos você conhece os fãs pessoalmente. Por outro lado, a gente se sente em casa. Nosso país é um pouco sonolento e tudo leva muito tempo para desenvolver. Muitas bandas desistem rapidamente e apenas as mais fortes sobrevivem. Isso nos dá força para continuar.

9. Vocês têm a oportunidade de viajar pelo mundo e também de conhecer as diferentes realidades dos outros países. Isso pode influenciá-los de algum modo?

JANO VALÉR: Sem dúvida. A influência é que nós sempre nos alegramos com concertos em casa quando voltamos. Cada país é bem diferente, mas no nosso caso onde as músicas estão em eslovaco, é o único lugar onde podemos viver a experiência de os fãs cantarem junto. De resto, nós tocamos em países da Europa Ocidental e na Alemanha ou na França, por exemplo, onde as pessoas não estão interessadas. Nós gostamos de tocar na República Checa, que na verdade são nossos irmãos e a língua é muito similar.

Imagem

10. Como vocês publicaram seu trabalho em outros países?

JANO VALÉR: Nos primeiros anos, Stephen foi muito ativo e tem trabalhado com editores underground de todo o mundo, feito e trocado álbuns e EP. Ele conheceu muitos amigos que nos ajudaram como uma banda em concertos no futuro. CAD é conhecido em alguns países, mas esse não foi o resultado esperado. Mais que isso, a internet, youtube e festivais nos ajudam.

11. Pergunta ao guitarrista: você acha que é um guitarrista que canta ou um cantor que toca guitarra?

STEPHAN: Oi. Eu acho que sou um cantor que toca guitarra. É assim, porque ninguém queria tocar guitarra e eu assumi a tarefa. Eu odeio carregar amplificadores e alto-falantes, que são pesados. O cantor vai e sempre carrega sua voz consigo.

12. Pergunta a baixista: qual foi seu encontro mais estranho com um fã?

BARBORA: Oi, esse tipo de encontro acontece com muita frequência e na verdade depois dos shows, quando as pessoas vem até mim. alguns não tem consciência que sua boca está fedendo muito. Eles não sabem que cerveja, cigarro e dança frenética são uma péssima combinação para o hálito.

13. Como vocês reagiram ao desafio de tocar no Brasil. Como isso se tornou possível? Vocês planejaram isso por algum tempo?

JANO VALÉR: Nós já fizemos duas turnês pelo Brasil. Isso é exatamente o caso dos velhos camaradas da cena underground. Alexandre Strambio é um editor, músico e conhece Stephan. Os dois combinaram tudo. A primeira turnê teve 17 concertos e foi muito bom e aventureiro. Desta vez nós quisemos um pouco mais que apenas ver bares e clubes. Desta vez tocamos em somente 9 concertos, mas nós vimos as cataratas do Iguaçu. E valeu a pena.

14. No Brasil, temos dificuldades em encontrar informações sobre a banda. Você pode dizer como tudo começou?

JANO VALÉR: Já disse muita coisa. Basicamente, eles eram muito engraçados nos primeiros anos por que a banda vem de uma cidade pequena que fica ao lado da capital. A gente conhece todo mundo, porque tem apenas 4 mil habitantes lá. Então, todos sabiam que nós tínhamos criado uma banda. É uma longa história, mas a ideia principal é que ninguém sabia nada sobre instrumentos, como fazer música e o que tocar. A gente só queria ser famoso rapidamente e tocar em estádios. Mas como AC DC canta: “é um longo caminho até o topo quando você quer rock and roll!” é realmente muito triste, porque essa música é verdade…

15. Há uma preparação para o show?

JANO VALÉR: O show se desenvolve sozinho depois de alguns concertos. Então encontramos o jeito certo de executá-lo e dar nosso melhor. Depois de cada show nós discutimos detalhes do próximo show fazer as coisas diferentes ou melhores.

16. Geralmente, quando se trata de Brasil, as pessoas só pensam em carnaval, mas não é assim o ano inteiro. O Brasil é como vocês imaginavam?

JANO VALÉR: Não, de modo algum. A gente não tem como imaginar. Tantas pessoas vivem no Brasil e no mundo tudo tantas pessoas diferente que a gente deve olhar apenas para os rostos. Nós estávamos fascinados pela diversidade das pessoas. Mas o país e as cidades são completamente diferentes. A gente só recebe notícias sobre samba, carnaval e que o Brasil cresce muito economicamente. Nada mais. Por exemplo: um amigo perguntou se fomos aos shows de barco. Ele pensava que o Brasil fosse todo como a Amazônia.

17. Vocês tocam com algum ídolo em particular? Acontece de as vezes vocês convidarem outros músicos?

JANO VALÉR: Organizamos concertos não para nós. Somos convidados a concertos e às vezes acontece de nós tocarmos com uma banda maior. Por exemplo, tivemos alguns shows com a Napalm Death. Isso vale também para Festivais. Com Obscene Extreme ou Brutal Assault aprendemos muita coisa.

18. Qual é a diferença da cena musical da Europa para o Brasil em termos de música pesada? Como o underground de lá é comparado ao daqui?

JANO VALÉR: Isto é, por exemplo, muito semelhante. O sistema de comunidade e cena atua em todos os países por camaradagem e fanatismo por música rock and roll. Na Eslováquia as bandas ainda acham que você precisa do mundo ocidental, mas no Brasil, a gente toca, dança se diverte e encontra muitas pessoas.

19. É a primeira vez que vocês tocam no Brasil?

JANO VALÉR: Não, é a segunda vez. A primeira turnê foi há 9 anos em 2004.

20. Quais são planos e expectativas para a banda em 2014?

JANO VALÉR: Até ao ano 2013, nós faremos apenas concertos. Temos ainda outra banda com o nome de Vandali. É uma banda de rock pesado. E 2013 pertence à banda Vandali. Mas em 2014, o CAD vai completar 20 anos. Nós queremos lançar um álbum. Espero poder publicar algumas músicas ainda desconhecidas. Nós ainda estamos pensando em como o concerto deve ser.

21. Vocês foram bem recebidos pelos brasileiros? Vocês gostaram da hospitalidade dos brasileiros? Como foram os shows no Brasil? Qual foi o melhor desta turnê?

JANO VALÉR: Embora os shows em 2004 tivessem mais gente, desta vez foi mais intenso. As pessoas eram poucas, então o contato era direto e cheio de energia. O melhor concerto foi em Presidente Prudente, onde nos encontramos com velhos conhecidos do Subcut.

Imagem

Imagem