Intrigas de Estado

O filme Intrigas de Estado (State of Play, 2009), lançado inicialmente nos EUA e Reino Unido é uma mistura de suspense com drama. O diretor Kevin Macdonald escolheu muito bem o elenco para compor as belas cenas dos 127 min. de duração do filme. O elenco principal conta com Rachel McAdams, Ben Affleck, Russell Crowe, Jason Bateman, Robin Wright Penn, Helen Mirren, Viola Davis, Jeff Daniels, entre outros.

Vale lembrar que o longa constitui uma nova leitura Hollywoodiana de uma série dramática, que teve em seu elenco original Bill Nighy, James McCavoy e John Simm, produzida por Paul Abbott pela TV britânica BBC no ano de 2003. A versão do filme não foge muito da série (que possui 06 episódios de quase uma hora de duração cada um) levando em conta que todos os episódios foram resumidos em 127 minutos. O diretor Kevin Macdonald ao lado do roteirista Tony Gilroy condensa a trama de forma precisa e fiz com que tudo aconteça em um ritmo implacável.

Tudo começa com a noticia da morte de uma assistente do parlamentar Stephen Collins (Ben Affleck), a linda Sonia Baker. O jornal “The Washington Globe” coloca o jornalista Cal McAffrey (Russell Crowe) juntamente com Della Frye (Rachel McAdams) (que trabalha na parte online do jornal) para investigar o crime. Cal irá investigar a historia a fundo.

Após a notícia da morte de Sonia Baker, todos cogitam a hipótese de suicídio, posteriormente, descobrem que fora um assassinato. Falava se em um caso amoroso, tudo sempre um toque de sensacionalismo para apimentar, mas na realidade não havia nada muito investigado na mídia. Não se sabia se a imprensa estava interessada em criar polemica ou investigar o caso.

No entanto, há a existência de um empecilho, um conflito de valores. Sim, Cal é amigo de Stephen, isto se torna um problema ético. Dessa maneira há o envolvimento do jornalista com a fonte e o que poderia vir a favorecer o congressista, o faz pensar em passar o caso para outro colega investigar. Assim Stephen não sabe quando esta falando com seu amigo ou com um repórter investigativo.

Em meio à trama (de ambientação estadunidense) surge também um conflito muito atual: a mídia impressa versus a mídia online, ou seja, o que pode vir a ser um dia a falência dos jornais. Cal é um típico profissional da mídia impressa: investigador, de faro apurado, bons contatos, sempre na mesma mesa, com o mesmo computador há 16 anos, onde passa dias procurando provas e fazendo pesquisas detalhadas, para colocar algo de concreto no veiculo de comunicação em que trabalha. Cal diz que são os jornais que fazem as matérias investigativas mais apuradas e contundentes.

Nesse contexto, entra a blogueira Della (uma jovem aprendiz de repórter, inexperiente), ela representa a modernidade, a contemporaneidade e o entusiasmo quando faz reportagens para postar no site do Washington Globe (jornal no qual Cal é veterano). Cal é a representação do antigo bom e velho jornal, já Della faz transparecer o novo e o moderno, a era do webjornalismo digital. Ela então passa a aprender jornalismo à moda antiga com Cal, deixando de ser apenas uma blogueira para ser uma jornalista de verdade.

O filme aborda também outro fator que o jornalismo atual vive: os conglomerados de mídia. A chefe do Washington Globe (pertencente a uma grande corporação em prol de mai lucros que conteúdos), Cameron Lynne (Helen Mirren), está sempre recebendo reclamações dos donos, que querem mais resultados nas vendas. Ela faz uma ponte entre a redação e o topo da hierarquia da empresa, tentando conciliar interesses. A corporação em questão não vê a importância do trabalho dos jornalistas, que é um trabalho muito detalhista, caro e algo que a versão online não minúcia corretamente, apenas condensa.

Intrigas de Estado não foge muito da realidade. Fala de problemas atuais, traição adultério, da contratação de empresas privadas para lutar no Iraque, falência da mídia impressa, a nova versão do jornalismo, conflito de interesses, ética, etc. O elenco, a direção, tudo entra em sintonia e faz a trama não fugir da série e nem se tornar algo chato. Russel Crowe representa divinamente o papel de um jornalista que se dedica de corpo e alma as investigações, em prol da sempre da verdade, a base fundamental do jornalismo.

Jéssica Cegarra

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