Mulher – O fruto proibido é um arquétipo que resiste ao tempo.

Na civilização judaico-cristã, mesmo antes de se reconhecer a mulher como um ser provido de alma (Concílio de Nicéia – Ad 325), ela foi usada como material de propaganda, em favor de causas de todas as naturezas.

Entre as setes maravilhas do mundo antigo o Templo de Afrodite, ao lado do Templo de Zeus. O sincretismo romano de Afrodite è Venus. Ninguém poderia imaginar que muitos séculos depois, o preservativo masculino iria se chamar camisa de Venus, cujo uso antecede o pavor da AIDS e das Hepatites.

Antes da era cristã a mulher Cleópatra desfilou na Via Apia ao lado de Marco Antônio. Uma linda mulher já era o atestado do poderio e virilidade de um homem importante. Onassis e Sarkosi repetiram apenas o exemplo romano.

Elisabeth Taylor in Cleopatra

Ao longo da história dos humanos, Simone de Bouvoir nos ensina que a primeira reverência à mulher pelos homens remonta à fase, quando escassearam os vegetais e a caça em torno do acampamento e o homem primitivo saiu para obter seus víveres em plagas distantes. Ao voltar já era primavera.

O reflorescer das árvores, os novos frutos e a volta dos animais foram associados à fertilidade da mulher. Os homens passaram a venerar a mulher como a deusa da sua sobrevivência. Os homens, comenta Simone (O Segundo Sexo) nunca permitiu que a mulher ficasse no seu nível. Podem até ficar em um patamar mais alto, mas jamais em pé de igualdade. O homem contemporâneo perpetua o conceito – minha mulher é uma santa, minha patroa, minha rainha.

No Velho Testamento, o Livro de Rute é um libelo contra o preconceito e a discriminação ao estrangeiro. Rute foi sem dúvida a precursora das agentes de turismo, uma atividade deveras afeita ao estilo feminino.

Na Idade Média tivemos a consagração da mulher nas obras de arte, pontificando as diversas Nossas Senhoras, como as de Botticelli. O tempo consagraria à Mona Lisa, La Gioconda, os maiores louvores e a certeza que uma visita ao Louvre é um prazer a que nenhum mortal pode se furtar.

Mona Lisa - La Gioconda

Apesar de representarem metade da população mundial, a mulher sempre foi e ainda é uma minoria na vida pública. As minorias são sempre muito rigorosas com elas mesmo. Isto sem falar que a libido é um instinto no macho, enquanto na fêmea a maternidade é o maior apelo.

Numa sociedade regida pelo pecado original, a mulher tem muito mais confiabilidade que o homem. Nem mesmo a liberação da mulher encerrou este paradigma. Soma-se a isto, uma sociedade extremamente machista. Uma professora que ganhe mal é uma heroína, um homem um fracassado. A mulher é menos suscetível à corrupção que o homem.

Por todas estas razões, a mulher se tornou um veículo de propaganda incomparável, pela sua credibilidade e princípios éticos. Não há dúvida que foi o cinema o grande motivador da inserção da mulher nas atividades de propaganda e marketing. Ainda no século XIX, no cinema ainda sem animação o nu frontal feminino exerceu um grande fascínio. A partir daí, o cigarro passeou nos lábios famosos e desejados de Avas Gardner, Ritas Hayworth, Jeannes Morau e, na sua máxima expressão, simplesmente a mulher do charmoso e enigmático Boogie (Humphrey Bogart). Copos com champagne e wiskey deram porres homéricos em Beth Davis, Romy Schneider e a eclética Ava, segundo Hemingway, o animal mais belo já visto na terra.

o cigarro passeou nos lábios famosos e desejados de Ava Gardner

A sensualidade e a nudez sempre foram usados com grandes apelos na comercialização dos filmes. Desde Êxtase com Heddy Lamar até Os Cafajestes com Norma Bengel. No Brasil, porém, muito antes de Leila Dinis, Luz Del Fuego e Elvira Pagã fizeram do nu frontal o prazer dos homens, curiosos e punidos com a Torre de Babel, mas excitados por um joelho ou um decote, muito mais do que por um fio dental numa praia qualquer. O fruto proibido é um arquétipo que resiste ao tempo.

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