Analise semiótica do filme Bonequinha de Luxo de Blake Edwards

O filme “Bonequinha de Luxo”, tem roteiro baseado na obra do célebre escritor Truman Capote. O drama de 1961, se passa na cidade de Nova York e tem como atores principais Audrey Hapburn na pele de Holly Golightly e George Peppard como Paul Varjak. O longa conta com direção de Blake Edwards.

Que o filme é um signo isso não se deve ter duvidas. Neste trabalho analisaremos semioticamente alguns efeitos interpretativos em mentes reais ou potenciais da primeira cena do filme.

Interpretante dinâmico: No instante que o filme se depara com o nosso representâmen ele desperta em nossa mente efeitos de calmaria, do minimalismo presente na roupa de Audrey Hepburn, da melancolia das ruas vazias ao amanhecer, da visão dos óculos escuros que escondem as olheiras dela após a escuridão da noite, por trás dos mistérios e da enigmática atmosfera de Nova York nos anos 1940. Estes são fatores que a imagem do signo filme, efetivamente produz em nossa mente.

Interpretante Imediato: No filme, podemos indicar como interpretante imediato a música Moon River (canção que faz parte da trilha sonora composta por Henry Mancini), no qual esta musica, faz com que se transpareça todo apelo romântico que a trama sugere, refletindo o ambiente despretensioso da sonhadora personagem Holly Golithly. Tanto na letra como na melodia o espectador desenvolve a sensibilidade romântica que a história propõe passar no filme.

Interpretante energético: Corresponde a uma ação física ou mental, que exige um efeito de energia, este de alguma espécie. A joalheria Tiffany & Co. e a Maison Givenchy são índices de sofisticação e que chamam nossa atenção, e nos movimentam na direção do objeto que eles indicam, que neste caso pode ser elegância e requinte para as mulheres clássicas.

A atriz Audrey Hepburn correspondeu muito bem ao papel encenado, pois, após o filme, a Maison Givenchy passou a estar presente em todos os figurinos que ela aparecia em cena, de qualquer filme, gerando assim uma mudança de hábito no quesito figurinista dos filmes. 

Portanto, a representação mental da Maison Givenchy no contexto de elegância e sofisticação penetrou na representação prática, através de experiência concreta encenada por Audrey Hepburn.  Quando entrava na loja, Audrey dizia que tudo parecia calmo e o mundo parecia maravilhoso, entendemos que isto provocou um comportamento diferente nos consumidores, comportamento este que pode ser relacionado a propaganda de hoje em dia.

Interpretante Lógico: se realiza no interpretante, por meio de uma regra associativa de pensamentos e raciocínios, caracterizando assim o significado que resultou do processamento lógico do pensamento sobre o signo filme e conteúdos apresentados nele. Por exemplo, temos de saber um pouquinho sobre a moda clássica dos anos 40 e internalizar essa convenção para entender o que o pretinho básico usado por Audrey significou no filme. Nesse caso, o pretinho revelou uma simbologia clássica de ingenuidade e ao mesmo tempo mistério e deslumbramento.

É importante entender e internalizar também que a Maison Givenchy é tão tradicional quanto Audrey para os entendedores de moda e cinema respectivamente. Porém aqueles que não entenderem sobre os assuntos correlacionados não saberiam fazer uma interpretação correta.

Interpretante Emocional: Esta sempre presente em qualquer apresentação e é caracterizado pelo efeito com qualidade de sentimento que o signo está apto a provocar em um interprete, no caso, telespectador do filme. Geralmente os ícones tendem a produzir esse tipo de interpretante com mais intensidade, como a musica.

No filme a musica Moon River trás qualidades de vários sentimentos para o primeiro plano. Os sentimentos mais explícitos são de melancolia, tristeza e solidão.

Quando escutamos a música Moon River sentimos toda a emoção do romantismo clássico, a perfeita comunhão da melodia com a poesia da letra, esta que, provoca inevitavelmente emoções de boas lembranças, de calma, do belo inexplicável e do bom gosto.

A música fala de dois amigos, que caminham juntos entre caminhos tortuosos, mostrando-nos como em seu título Moon River, traduzido Rio de Lua, os momentos sombrios da vida, e assim acaba por enfatizar a elegância de Audrey Hepburn, uma mulher que muitas vezes sozinha, com vestido de festa, ao amanhecer, toma café e aprecia a vida, junto a lastimas e amarguras da vida.

Quali-signo: O preto do vestido é um quali-signo icônico e nos remete a obscuridade, podemos citar também como a escuridão e ao misterioso. Já o branco esmaecido das paredes da loja sugere claridade, simplicidade, neutralidade, por similaridade.

As jóias em prata e cravadas em brilhantes da cena sugerem a luz do dia, brilhando após uma noite de escuridão, o glamour, a luz no fim do túnel, o cintilante aos olhos, o deslumbramento, o brilho do amanhecer.

Sin-signo:  é a propriedade de existir. Vem de singular existir: tudo que ocupa lugar no tempo e espaço e que irradia sentido em outras direções. É o seu caráter físico-existencial que aponta para as outras coisas.

A atriz que existe no tempo e no espaço, emite sinais para uma infinidade de direções: o modo de se vestir (um longo pretinho básico da Givenchy, jóias com brilhantes translúcidos, um lindo óculos Wayfarer  modelo clássico da Ray-Ban), a maneira de falar (sotaque britânico), a língua que fala(inglês), sua aparência em geral.  São todos estes, e muitos outros mais, sinais que estão prontos para significar, latentes de significado.

Legi-signo: se apresenta como uma lei ou idéia universalizada.

 No começo e no fim do filme temos mais uma vez a musica Moon River presente. Esta forma de se utilizar uma musica em cenas especificas possibilita o receptor de identificar o inicio e o final do filme.  A musica ao ser apresentada, é portadora de uma lei que, por convenção, determina que o signo filme represente o começo ou os últimos segundos do filme.

Referencias bibliográficas:

SANTAELLA, Lucia. Semiótica Aplicada. São Paulo: Pioneira, 2002. p. 01-25  (Introdução e Capítulo “Bases teóricas para aplicação”)

SANTAELLA, Lucia. Semiótica Aplicada. São Paulo: Pioneira, 2005. p. 85-97 (Capítulo “Matisse: uma semiótica da alegria”)

Filme: Bonequinha de Luxo. Drama. Direção: Blake Edwards. Estados Unidos, 1961.

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