Arquivo do mês: maio 2010

Os signos no texto jornalístico

Sem a existência dos signos, não seria possível um saber consciente de coisa alguma.

O signo é uma palavra capaz de representar a realidade. Composto por significante e significado.

O significado é o mesmo que o sentido, assunto ou ideia. É o pensamento que esta por trás do significante e também caracteriza a parte que a gente entende sobre algo. Ele varia de acordo com o contexto e se caracteriza pelo que se deseja transmitir.

O significante é a aparência e parte material do signo. Ele precisa estar sempre junto com o significado para ser um signo e só então significar algo.

Há pouco tempo atrás a ministra Dilma Rousseff foi flagrada por paparazis segurando uma linda bolsa de 30 mil reais, modelo clássico denominado “Birkin”, da marca francesa Hermés. A bolsa, após ser adornada com couro de cobra, brilhantes e o emblema da marca Hermés, passa a ter o signo de ostentação abundante, exercido pela personagem Dilma. O significante então se caracteriza como a aparência da bolsa signo.

Na elaboração de um texto jornalístico, a aparência de um signo ou mais, simboliza uma idéia, que vem a ser o significado e sem o domínio destes conceitos, não se faz uma plena comunicação.

O signo pode ter mais que um significante, por vezes, mesmos significados contraditórios, ou antagônicos, estes que, serão esclarecidos somente através do contexto do texto.

No texto jornalístico deve haver uma perfeita correspondência entre signo e coisa, realidade e discurso para que não haja uma má interpretação, ambigüidade ou coisas do gênero.


PERSEU E MEDUSA – O DUELO

Hoje entraremos em detalhes de uma história muito interessante e triste também. O herói mítico grego Perseu e a gorgona Medusa abrem o jogo e contam tudo sobre o mito esquecido. A entrevista com Medusa ocorreu por meio do escudo de Perseu, este emprestado caridosamente, para que não nos petrifiquemos pelo olhar de Medusa.

MEDUSA

 

Medusa, o que te levou hoje a ser uma gorgona (mulher-monstro na mitologia grega) ? Como isso aconteceu?

Sempre fui muito bonita e orgulhosa de minha beleza, principalmente dos meus cabelos. Acabei de apaixonando por Zeus e Minerva não gostou nada disso. Ela ficou enraivecida ao descobrir nosso caso me transformou em um monstro mortal, com cabelos de serpente, presas pontiagudas, mãos de bronze e asas de ouro. Além do mais, quem dirigir o olhar a mim se transforma em pedra.

 Medusa o fato de ninguém mais poder te olhar e você não poder mais ser admirada te deixou muito triste?

Sim, fiquei péssima. Alem do fato das perseguições, principalmente a que sofri de Perseu.

 Medusa a perseguição de Perseu levou a sua morte. Como isso ocorreu?

Perseu me matou munido de objetos mágicos, recolheu minha cabeça e a colocou no escudo de Atena como proteção contra os inimigos. E até hoje as minhas gravuras decoram os telhados dos templos gregos, como objetivo de assustar os maus espíritos.  Achei isso péssimo. Sabe que o lado bom foi que ao me decapitar, do meu ventre surgiram o cavalo alado Pégaso e o gigante Crisaor.

PERSEU

Perseu, o que te levou a buscar a cabeça da Medusa?

Eu sou muito aventureiro. A idéia foi de Pelidectes, ele sugeriu um torneio para saber quem iria ocupar o trono. Então eu venci trazendo a cabeça da Medusa.

 Como você descobriu o caminho para encontrar o esconderijo da Medusa?

Eu sabia que as Gréias poderiam me dizer onde encontra-la. Simplesmente surrupiei o único olho delas e disse que eu só devolveria quando me contassem o caminho. Simples assim.

 Atena, Hades e Hermes te ajudaram, certo? Qual foi a importância do papel deles em sua busca?

Atena, Hades e Hermes tiveram um papel fundamental na minha vitória, ajudando com os equipamentos necessários para a batalha com Medusa.

 Que tipos de equipamentos foram utilizados na batalha contra Medusa?

Utilizei um escudo muito bem polido que ganhei de Atena.  Este escudo assim como um espelho, foi importante pois gerava o reflexo de quem me olhar. Hades me deu também um capacete que me tornou invisível, e Hermes me deu sandálias aladas, três objetos que foram definitivos para a minha vitória.

 Quais foram os procedimentos usados para a decapitação da gorgona?

Permaneci guiado pelo reflexo de meu escudo e não olhei diretamente para a Medusa, assim, rapidamente a derrotei e cortei a cabeça dela com uma foice de rigidez de diamante e bem afiada, que então ofereci à deusa Atena e ao deus Hermes.

 Após a decapitação onde você guardou a cabeça dela?

Imediatamente após te-la decepado, recolhi o sangue e guardei a cabeça numa bolsa especial que me foi presenteada pelas Ninfas. Da veia esquerda do pescoço da Medusa saiu um poderoso veneno; da veia direita, um remédio suficientemente poderoso para ressuscitar os mortos.

 Como foi a sua volta para a cidade de Sérifo com a cabeça da Medusa?

Na volta para casa, matei um terrível monstro marinho e libertei a linda Andrômeda, com quem me casei. Quando cheguei em Sérifo, Polidectes não acreditou que cumpri com a minha promessa e quis me atacar. Então, para me defender, usei a cabeça de Medusa e o petrifiquei, resgatei minha mãe e fui para Argos.

Jéssica Cegarra


O projeto do TCC

Resumo do capitulo 2 do livro Metodologia básica para elaboração de trabalhos de conclusão de curso (TCC) escrito por BERTUCCI

BERTUCCI começa o capítulo salientando a importância da elaboração de um projeto de trabalho em função das escolhas e definições. Para ele, embora seja opcional, recomenda-se sem dúvida a elaboração desta etapa produtiva que “contém o primeiro esforço sistematizado do aluno” (2008, p.17)

Antes de começar a escrever, deve-se primeiro definir o tema e o escopo do projeto. Quanto à estrutura, diferentes alternativas podem ser utilizadas, variando de acordo com o objetivo do projeto. Não se esqueça que tudo que estiver bem escrito poderá ser aproveitado no trabalho final.

“Outra questão importante é a preparação formal que a elaboração do projeto propicia. Isso implica realizar escolhas, estabelecer objetivos e definir metas e prazos a serem alcançados” (2008, p.18)

O titulo do TCC é um elemento muito importante, não se esqueça. Ele deve ser curto e expressar com clareza o conteúdo do trabalho. “Um bom titulo é fruto de amadurecimento e muito trabalho”. (2008, p. 20) Ele deve ser revisado constantemente para expressar com clareza a idéia central do trabalho.

O sumário do trabalho é o próximo passo. O sumário terá sua forma precisa quando o projeto ou o TCC estiver pronto. “Um sumário bem elaborado deveria constituir um plano de trabalho a ser seguido.” (2008, p.22) O sumário com uma estrutura clara e precisa, certamente ajudará o pesquisador a centrar sua atenção nos aspectos que merecem cuidado especial.

Por meio do sumário, os leitores vão se interar do conteúdo e assim, poderão formar uma opinião sobre o trabalho, este já concluído e em fase de leitura por outras pessoas. “A estrutura final do TCC apenas agrega mais dois capítulos ao projeto de trabalho: a parte de apresentação e a análise dos dados e a conclusão”. (2008, p.22)

A capa costuma ser disponibilizada pela coordenação do curso, basta apenas ficar atento quanto as exigências especificas de cada curso.

BERTUCCI, J.L. de O. O projeto do TCC. Metodologia básica para elaboração de trabalhos de conclusão de curso (TCC). São Paulo: Atlas, 2008. Cap. 2, p. 17 – 23.


Resumo do capítulo 4 do livro “Temas de filosofia”

O capítulo “O que é conhecimento”, do livro Temas de Filosofia, escrito por Aranha e Martins, aborda os diferentes caminhos, para quem sabe, poder chegar às respostas das perguntas fundamentais, que o ser humano possui há muito tempo, são elas: “como saber?” ou “como conhecer?”. Pois “todos de uma maneira ou de outra, têm por objetivo conhecer algum aspecto da realidade a fim de se posicionar frente a ele”. (1998, p.54) As respostas em si são variadas e dependem de fatores diversos.          Para os autores “a história da busca do conhecimento é a própria história da busca da verdade”. (1998, p.54)

O saber acumulado pelo homem através de gerações também pode ser dado o nome de conhecimento, este que, pode ser transmitido como produto da relação sujeito-objeto. O sujeito e o objeto se transformam mediante o novo saber, pois assim o conhecimento então lhe dá sentido. “O verdadeiro conhecimento se dá dentro do processo dialético de ida e vinda do concreto para o abstrato, processo esse que jamais tem fim e que vai revelando o mundo humano na sua riqueza de diversidade”. (1998, p.55)

Por meio do pensamento todo o conhecimento se manifesta, articulando signos, ligando e unindo representações em cadeias. Para Kant, filósofo alemão, na Critica da Razão Pura, o pensamento e linguagem verbal estão diretamente ligados. Assim transcendendo, a palavra vai além da situação concreta do vivido, porque por ser uma abstração podemos emitir julgamentos e elaborar conceitos. Lembrando que também existem linguagens não verbais, elas costumam estar presas ao mundo sensível e expressam pensamentos diferentes, não operam conceitos nem juízos.  

A lógica como um instrumento do pensar trata dos argumentos. “O principal organizador da lógica clássica foi Aristóteles, com sua obra chamada Órganon. Ele divide a lógica em formal e material”. (1998, p.56) A identidade e a não contradição são os fundamentos principais de Aristóteles. “A lógica Aristotélica pressupõem uma concepção estatística de mundo, na qual a realidade é explicada a partir das essências imutáveis e eternas”. (1998, p.57) Para raciocinar logicamente é necessário fazer uso da dedução, da indução e da analogia, neste capitulo, Aranha e Martins explicam com detalhes o significado de cada termo em questão.

“A realidade, encarada como processo e como constante mudança, exige uma nova lógica”. (1998, p. 59) Foi então que no século XIX, o filósofo alemão Hegel desenvolveu uma nova lógica, a lógica dialética, esta que consistia em um novo método para se caçar a verdade, como movimento interno de contradição.  Tal método envolvia a tese, a antítese e a síntese.

Os autores terminam o capitulo com algumas conclusões: “chegar ao conhecimento verdadeiro é uma das preocupações do ser humano desde os tempos mais antigos” e “para se chegar ao conhecimento correto, é necessário usar a lógica como instrumento do pensar”. (1998, p.60)


Resenha do poema “Eu, etiqueta” de Carlos Drummond de Andrade

Neste caderno “Esplendor”, o nosso jornal diário Lins & Cia (jornal e nome fictício), começou essa semana uma série de publicações de poemas sobre a beleza e as diversas formas de expô-la. Essa nova fase de publicações iniciou-se com Romildo Alvez, com o poema Chove de Ouro.

O poema desta edição se chama: “Eu, etiqueta” de Carlos Drummond de Andrade, este aborda as necessidades que as pessoas têm da própria imagem, conseqüentes certamente da busca pela satisfação pessoal obtida perante e pelo olhar dos outros. Isso é muito esclarecido no texto de Aranha e Martins em Filosofando

O verso “é doce estar na moda, ainda que a moda seja negar minha identidade” faz com que transpareça a moda não somente como um produto apenas, mas como a promessa da satisfação de uma necessidade que para algumas pessoas é praticamente vital.

Na atual sociedade do consumo, o ser industrial se tornou o homem anuncio itinerante, movido pelos apelos emocionais da propaganda modelizante, que modela o comportamento das pessoas e que aos poucos acabam perdendo a própria identidade.

“E fazem de mim homem anuncio itinerante” este é outro verso especial que revela como o homem se tornou “objeto pulsante mas objeto”, assim transparece a falta de subjetividade das pessoas, estas que muitas vezes acabam fazendo propaganda de graça, na busca de quem sabe ser aceito em algum grupo ou comunidade.

Drummond nos deixa claro que o ter substituiu o ser em várias áreas do pensamento moderno, este que aos poucos se tornou extremamente industrial, “que se oferece como signo de outros”. Drummond de mãos dadas com Aranha e Martins entram em concordância potencial ao afirmarem que a vivencia do cidadão atual está repleta de vontades e anseios industriais, entretanto permanece carente de desejos sobretudo pessoais, como se mantinha outrora. Enfim uma lástima.


Eu, etiqueta

Em minha calça está grudado um nome

Que não é meu de batismo ou de cartório

Um nome… estranho

Meu blusão traz lembrete de bebida

Que jamais pus na boca, nessa vida,

Em minha camiseta, a marca de cigarro

Que não fumo, até hoje não fumei.

Minhas meias falam de produtos

Que nunca experimentei

Mas são comunicados a meus pés.

Meu tênis é proclama colorido

De alguma coisa não provada

Por este provador de longa idade.

Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,

Minha gravata e cinto e escova e pente,

Meu copo, minha xícara,

Minha toalha de banho e sabonete,

Meu isso, meu aquilo.

Desde a cabeça ao bico dos sapatos,

São mensagens,

Letras falantes,

Gritos visuais,

Ordens de uso, abuso, reincidências.

Costume, hábito, premência,

Indispensabilidade,

E fazem de mim homem-anúncio itinerante,

Escravo da matéria anunciada.

Estou, estou na moda.

É duro andar na moda, ainda que a moda

Seja negar minha identidade,

Trocá-lo por mil, açambarcando

Todas as marcas registradas,

Todos os logotipos do mercado.

Com que inocência demito-me de ser

Eu que antes era e me sabia

Tão diverso de outros, tão mim mesmo,

Ser pensante sentinte e solitário

Com outros seres diversos e conscientes

De sua humana, invencível condição.

Agora sou anúncio

Ora vulgar ora bizarro.

Em língua nacional ou em qualquer língua

(Qualquer, principalmente.)

E nisto me comprazo, tiro glória

De minha anulação.

Não sou – vê lá – anúncio contratado.

Eu é que mimosamente pago

Para anunciar, para vender

Em bares festas praias pérgulas piscinas,

E bem à vista exibo esta etiqueta

Global no corpo que desiste

De ser veste e sandália de uma essência

Tão viva, independente,

Que moda ou suborno algum a compromete.

Onde terei jogado fora

meu gosto e capacidade de escolher,

Minhas idiossincrasias tão pessoais,

Tão minhas que no rosto se espelhavam

E cada gesto, cada olhar,

Cada vinco da roupa

Sou gravado de forma universal,

Saio da estamparia, não de casa,

Da vitrine me tiram, recolocam,

Objeto pulsante mas objeto

Que se oferece como signo de outros

Objetos estáticos, tarifados.

Por me ostentar assim, tão orgulhoso

De ser não eu, mar artigo industrial,

Peço que meu nome retifiquem.

Já não me convém o título de homem.

Meu nome noco é Coisa.

Eu sou a Coisa, coisamente.

(Carlos Drummond de Andrade)

 

 


Era da imoderação

No texto “Era da imoderação”, publicado pela Revista da Cultura, Ronaldo Bressane traz teóricos de peso como Lewis Carroll, Zygmunt Bauman e Charles Baudelaire dentre outros, para comprovar as ideias e diversidades da imoderação global. Com linguagem culta, clara e objetiva, o autor usa de ciência e literatura para propor saídas importantes e ajudar a sociedade a enxergar o exagero em que se encontra.

O ciberpensador Gustavo Mini Bittencourt, acredita que estamos adentrando na Era da Abundância, onde há uma vasta oferta e uma fome interminável de informações. Para Brassane, a infelicidade dos consumidores deriva do excesso e por conseguinte da pouca assimilação de informação, e não da falta de escolha, o que causa a perda lenta da noção de desfrute. Na Era do Excesso, os limites estão cada vez mais indefinidos. Depois de uma semana febril, Lorenzo, uma criança de 7 anos, confunde então, horário livre com horário de obrigação.

O texto deixa claro que a Era do Excesso pode causar desatenção, hiperatividade, impulsividade e sobretudo outro conhecido sintoma, o desmemoriamento. É preciso estar atento e repensar as prioridades, pois, filtrar o excesso é essencial. Segundo Bressane o caminho mais inteligente é sempre prestar atenção e saber a hora de parar.

 Referencias bibliográficas: BRESSANE, Ronaldo. Era da Imoderação. Revista da Cultura, São Paulo, Edição 30, janeiro de 2010. Disponível em: <http://www2.livrariacultura.com.br/culturanews/rc30/index2.asp?page=capa> Acesso em 12 de abril de 2010.