“O meio é a mensagem: a globalização da mídia” de Cláudio Camargo

O capítulo “O meio é a mensagem: a globalização da mídia” de Cláudio Camargo, trás a tona a questão da “aldeia global” de McLuhan, este por si, escreveu que a televisão poderia conduzir o mundo para o que ele chamou de aldeia global. Nela uma pessoa pode se comunicar com qualquer outra que viva em qualquer parte do planeta.

            A provocativa expressão “o meio é a mensagem” pertence a McLuhan. E afirma que os meios de comunicação são na realidade um elemento determinante na comunicação. O falecimento de McLuhan 15 anos antes da existência da internet é lamentável, no entanto, pode ser considerado o profeta do mundo da atual realidade cibernética.

            Para Ignácio Ramonet, diretor presidente do Lê Monde Diplomatique “os meios de comunicação se fundem cada vez mais para construir grupos de comunicação de vocação mundial”. Para Ramonet, as três esferas que eram autônomas (cultura de massa, a publicidade e a informação) foram se misturando.

            A “revolução digital” permitiu o surgimento e o avanço da internet, rompendo fronteiras que separavam as formas tradicionais de comunicação: som, a escrita e a imagem. A comunicação então se tornou a indústria pesada de nosso tempo.

            Globalizar sem democratizar:

            O terremoto provocado pela entrada da mídia na era eletrônica no Brasil, manteve sua estrutura concentrada nas mãos de poucos grandes grupos empresariais e familiares.

            No Brasil adotou-se o trusteeship model, no qual o executivo detém o poder de concessão e o setor privado é o seu executor. Assim como uma propriedade cruzada, uma mesma empresa pode possuir jornal diário, rádio, tv aberta e tv por assinatura na mesma localidade.

            Uma agenda agressiva de privatizações o Brasil passou a adotar nos anos 1990. A partir de 1995 as comunicações tornaram-se o paradigma dessa nova política. As mudanças começam com a aprovação, em 1995, da Emenda Constitucional n.8 que quebra o monopólio estatal das telecomunicações.

            Mudanças essas muito impactantes nas empresas tradicionais de jornalismo. Dez grupos familiares, desde os anos 1970, possuíam o monopólio da grande mídia brasileira. Estas famílias, no inicio dos anos 2000, com a queda abrupta da circulação de jornais e de publicidade, viram suas receitas despencarem. Algumas das empresas haviam investido pesado em tv a cabo, dos dez grupos familiares, três perderam suas empresas. Os que conseguiram se manter no comando de suas empresas jornalísticas recorreram obrigatoriamente a aportes de capital externo.

            A Folha e a criação do Universo On Line (UOL)

            O grupo Folha da Manhã realizou uma operação bem complexa com a portuguesa Telecom, cedendo 20% de suas ações, em prol de usar as reservas financeiras do UOL para sanar as dívidas do jornal. Com isso, a empresa fundada por Octavio Frias de Oliveira (em 1996) obteve em 2005 o equivalente a US$ 266 milhões.

            Em 1996 o Universo On Line foi fundido com o Brasil Online do grupo Abril em setembro. Desde então se tornou o líder dentre os grandes portais da internet na primeira década do milênio.

            Novas mídias, velha política  

            As privatizações garantiram a transferência do controle de grande parte do patrimônio publico (empresas como Embratel, Vale do Rio Doce, Embraer) em nome da modernidade e da eficiência econômica. As irregularidades tiveram pouco destaque nas reportagens cautelosas que foram escritas depois, principalmente as referentes a Vale do Rio Doce e a Embraer. Em suma, FHC contou com o beneplácito da grande imprensa.

            O impasse depois da cruzada

            Até quase o fim do primeiro mandato de Lula, a cobertura da imprensa sobre seu governo manteve-se relativamente objetiva. O episódio “mensalão” atuou como divisor das águas, desencadeado em 2006.

            Um setor dos meios de comunicação de massa “avaliou que havia espaço para declarar uma guerra político-midiática contra a gestão do presidente Lula”. Foi então que a grande imprensa brasileira engajou-se numa das mais violentas cruzada de sua história: uma operação contra o governo Lula.

            Para Luiz Nassif, a campanha contra Lula foi conduzida “com tal dose de agressividade, preconceito e arrogância, que a marcaria indelevelmente dali por diante”. Entretanto, Lula foi reeleito com folga no segundo turno, 60,8% dos votos válidos apesar da campanha feroz contra ele. Há matérias que apontam estatisticamente, que os eleitores hoje são a classe C e D, e caracterizam novos formadores de opinião e novos alvos da mídia.

            O casamento entre reportagem e entretenimento foi outro marco na evolução do jornalismo dos últimos anos. Levando assim, a informação a uma massa alienada e anestesiada.

            A questão que se coloca para o jornalismo do inicio do século XXI é saber como ele sobreviverá dentro das sociedades globalizadas. Talvez seja melhor agir como sugeria o pensador marxista italiano Antonio Gramsci “pessimismo na teoria, otimismo na prática”. A sorte está lançada.

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Sobre Jéssica Bárbara Cegarra

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Uma resposta para ““O meio é a mensagem: a globalização da mídia” de Cláudio Camargo

  • julia

    eu gostaria de saber de alguma reportagm de globalização?
    se tiver alguma interessante me mande pelo email.
    mas preciso do texto resumido?
    muito obrigado pela a atenção de voces…!

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