Arquivo do mês: dezembro 2008

Excentricidade x Loucura

No mundo de hoje, os ricos e privilegiados pelo dinheiro, e de alguma forma anormais devido a vários devaneios que demonstram, são caracterizados “excêntricos” e aqueles desfavorecidos que transparecem muitas vezes os mesmos sintomas mentais anormais, entretanto, pobres, humildes são os “loucos” que a sociedade não quer ouvir.

            O trecho da música “Com A Boca Amargando” da banda Charlie Brown Jr: “O poço da loucura é muito fundo, no jardim da insanidade cabe eu você e todo mundo”, revela a verdade do signo loucura que em meio a um mundo conturbado por acontecimentos pseudo-apocalípticos como os terremotos e tsunamis, nos mostra que o ato de enlouquecer pode se apoderar de qualquer um, independente de dinheiro ou classe social.

            Jéssica Cegarra

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Olhai os lírios do campo

Atualmente o processo de globalização está trazendo profundas transformações para as sociedades contemporâneas. O acelerado desenvolvimento tecnológico e cultural, principalmente na área da comunicação, caracteriza então, uma nova etapa do capitalismo, contraditória por excelência, que coloca novos desafios para o homem neste final de século. Cultura, Estado, mundo do trabalho, educação, etc. sofrem as influências de um novo paradigma, devendo-se adequarem ao mesmo. Neste novo paradigma, a autonomia é privilegiada.

O que caracterizou o século XX foi uma profunda transformação no conceito de ideologia, ao contrario do que se diz, a queda do muro de Berlim não encerrou a questão ideológica. Pelo contrario suscitou uma discução vertical sobre a mesma.

A ideologia chegara ao século XX como uma ação discursiva, na tentativa de conciliar a consciência verdadeira com o discurso politicamente correto.

A partir do século XX, e não se pode negar à contribuição de Max weber, a ideologia como retórica perdeu lugar, sendo substituída pela aparição quantitativa da metodologia cientifica weberiana. Bem, mal, pior, melhor, conceitos ao sabor das conveniências discursivas, foram substituídos pelos índices de desenvolvimento humano. A partir desta mudança, a queda do muro de Berlin não mudou coisa alguma no cenário político das discuções de diferentes sistemas.

Infelizmente a partir do século XX, a mídia perde o seu propalado caráter do quarto poder. Ela passa a ser a voz do capital, dificultando ainda mais a discução do bem comum. Tão acintosa, tem sido o papel da mídia que ela perdeu prestigio a ponto de não servir como guia de orientação para os contingentes mais esclarecidos.

O desaparecimento do estado comunista hegemônico, a união soviética, parecia ter posto fim a chamada guerra fria, ou seja, a velha disputa entre o socialismo do estado e o capitalismo sempre disfarçado pelo apelido ilustre de economia liberal de mercado.

O desaparecimento do comunismo como força antagônica da chamada democracia liberal produziu sérios conflitos nas democracias liberais.

A indústria bélica perdeu o seu grande motor precursor, a guerra.

A tentativa desesperada de substituir o diabo comunista pelo terrorismo não deu os resultados que se anteviam. Os núcleos terroristas se transformaram numa série de Vietnãs, desde a Indochina, até o Iraque.

Os asiáticos ensinaram a todo mundo, a guerra de guerrilha, jamais prevista pela inteligência ocidental colonialista. Se não bastasse o malogro de se tentar o novo inimigo comum, o capitalismo passa a ser desafiado por uma produção em massa que derruba os preços do sagrado mercado, graças à mão de obra de um povo que produz muito e consome pouco: chineses, coreanos, filipinos, japoneses.

Contra o capitalismo também se levanta uma questão irrefutável – o meio ambiente – já não é mais possível produzir loucamente e consumir insanamente. É preciso preservar.

A produção desenfreada gerando concentração do capital é essencial para o processo de produção capitalista.

Deu no que deu. A atual crise econômica que o mundo atravessa era o sonho utópico de Marx. O dia em que todos produzissem conforme as suas possibilidades e gastassem somente seguindo as suas necessidades, desapareceria a propriedade privada.

O capitalismo pós-moderno fez o percurso marxista em ordem inversa. A crise imobiliária nos estados unidos decorre de um fator muito singelo. Todos têm casa e belas casas. O desaquecimento da construção civil, por falta de demanda, gerou um desemprego jamais visto.

Sem emprego os cidadãos não podem pagar as mensalidades de suas hipotecas. Não podem sequer pagar os tributos referentes à sua moradia e suas obrigações de cidadania.

Os bancos que financiaram os imóveis foram à falência. Jocosamente aqueles que combatiam um Estado, correm a casa paterna pedindo ajuda ao pai, avô antes considerado ultrapassado.

Estamos assistindo os últimos dispersores do capitalismo que agoniza numa unidade de tratamento intensivo, onde nenhum economista, ou sociólogo dispõe de uma terapia eficiente.

Como previra Marx o mundo teria que passar pelo capitalismo, para chegar ao socialismo. Retrocedemos aos primórdios do século XIX. Ou quem sabe aos fundamentos da civilização ocidental judaico crista – amai-vos uns aos outros. Que Marx reproduziu – trabalhador uniu-vos.

Afinal para que roupas luxuosas e casas maravilhosas? Vejam como são simples os vegetais, se adornam com as próprias roupas que a natureza lhe deu. Olha os lírios do campo.                

Jéssica Cegarra