Resenha do poema “Eu, etiqueta” de Carlos Drummond de Andrade

Neste caderno “Esplendor”, o nosso jornal diário Lins & Cia (jornal e nome fictício), começou essa semana uma série de publicações de poemas sobre a beleza e as diversas formas de expô-la. Essa nova fase de publicações iniciou-se com Romildo Alvez, com o poema Chove de Ouro.

O poema desta edição se chama: “Eu, etiqueta” de Carlos Drummond de Andrade, este aborda as necessidades que as pessoas têm da própria imagem, conseqüentes certamente da busca pela satisfação pessoal obtida perante e pelo olhar dos outros. Isso é muito esclarecido no texto de Aranha e Martins em Filosofando

O verso “é doce estar na moda, ainda que a moda seja negar minha identidade” faz com que transpareça a moda não somente como um produto apenas, mas como a promessa da satisfação de uma necessidade que para algumas pessoas é praticamente vital.

Na atual sociedade do consumo, o ser industrial se tornou o homem anuncio itinerante, movido pelos apelos emocionais da propaganda modelizante, que modela o comportamento das pessoas e que aos poucos acabam perdendo a própria identidade.

“E fazem de mim homem anuncio itinerante” este é outro verso especial que revela como o homem se tornou “objeto pulsante mas objeto”, assim transparece a falta de subjetividade das pessoas, estas que muitas vezes acabam fazendo propaganda de graça, na busca de quem sabe ser aceito em algum grupo ou comunidade.

Drummond nos deixa claro que o ter substituiu o ser em várias áreas do pensamento moderno, este que aos poucos se tornou extremamente industrial, “que se oferece como signo de outros”. Drummond de mãos dadas com Aranha e Martins entram em concordância potencial ao afirmarem que a vivencia do cidadão atual está repleta de vontades e anseios industriais, entretanto permanece carente de desejos sobretudo pessoais, como se mantinha outrora. Enfim uma lástima.

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